Muito prazer

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Comecei a vida em Santos e cresci educada de acordo com as tradicionais regras que, muitas vezes, envolvem o machismo brasileiro. Mudei. Fiz faculdade fora. Ganhei liberdade, responsabilidade e identidade. Hoje, com 32 anos, estou casada com um homem fabuloso e espero nosso primeiro filho. Um sonho de gente grande, mas que espero desde criança: o da maternidade. O assunto sempre me fascinou e hoje, me pego com o corpo começando a deformar e sintomas nada agradáveis. Sabe o bom da história? Dou risada de tudo! Da azia, das ânsias intermináveis, da fome colossal e do tanto de cremes de estrias que hoje povoam meu banheiro. Isso é somente a primeira fase. Tenho certeza que, depois desta gravidez, continuarei rindo de mim mesma por inúmeros motivos, inclusive por me pegar em diversas situações que jamais imaginei passar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O motivo é: João Ricardo


A última sexta-feira foi um dia de divisor de águas na minha vida. Sim, na minha vida de jornalista, profissional, mulher...
Vamos contar a história do início.
No dia 01/08 João Ricardo começou na escola. O matriculamos no Jardim Colibri, com sistema pedagógico Waldorf. Ele está na "classe" de 0 a 3 anos. Foi uma semana de adaptação feita pelo Ricardo. Segunda, terça, quarta, quinta...ele "abriu o bico" e disse: acho que o João não precisa passar por isso, vai dar errado, ele chora muito, eu fico com dó e tal. Na sexta, eu fui levá-lo e a professora pediu para que eu ficasse já que na quinta ele passou uma manhã bastante nervoso e agitado, chorando. Liguei para o meu chefe, mandei SMS para os colegas do trabalho e fiquei lá: de joelhos na mini-classe meio que escondida para ninguém me notar lá. Como se adiantasse...João não desgrudou. Quando se soltava durava alguns segundos, voltava para minha direção. E assim foi. Vi que ele ainda não estava achando super legal a escola mas vi também que a primeira reação das crianças é esta mesmo e é só os pais virarem as costas, eles se soltam e caem na folia.
Voltamos para casa decididos que a escola era sim uma ótima para o João.
Desde então, o levei pela manhã e o Ricardo o busca as 12h, hora da saída dele. De manhã nós temos nosso ritual: o acordo (depois de uns 40 minutos que eu já acordei - tomo banho, me arrumo e tal) conversando com ele: Joããããão...bom dia...gatããããão, gostosooooo, preguiçaaaa, acorda...
Ele vai espriguiçando e levanta sonolento com um sorrisinho cerrado nos lábios que me mata de vontade de agarrá-lo bem forte. Me mostra o Naninha dele (o tal objeto de transição eleito. Ele não o larga. O que aparece na mão dele nesta foto por acaso) e continua com o sorrisinho lindo que eu amo.
O pego, dou bom dia, abraço, beijo, converso, pergunto como ele dormiu (ele não responde nada, claro, mal fala ainda) e eu fico achando tudo aquilo o máximo...
O troco, monto a bolsa que ele leva para a escola e finalmente descemos para tomar a mamadeira. Ele "me ajuda" a preparar o leitinho e toma tudo. Saímos e ele mesmo se guia até o carro e fica parado na porta certinha dele entrar (onde tem a caderinha dele). Coisa mais linda...
Vamos andando (de carro) uns 15 minutos até a escola e vou conversando com ele como se estivesse falando com um adulto! Ele me olha pelo retrovisor com um ar de: eu sei para onde vc está me levando...Não adianta me enganar...
O deixo na sala, o coloco as pantufas e dou tchau. Desde quarta passada ele não chora mais. Já fica sozinho e feliz. Volta animado e super cansado de tanta farra.
Na quarta-feira passada, recebi a notícia aqui no meu trabalho que iria para a equipe de reportagem da emissora. Notícia que eu comemoraria há uns 3 anos, mas hoje, fiquei confusa, indecisa, com medo...enfim, a sensação não foi muito boa. Na sexta-feira finalmente ataquei de repórter. A noite anterior foi péssima. Não consegui ficar com o João. Só chorava. Pensei em nem ir ao trabalho mas a responsabilidade não me deixou.
Dormi mal, acordei mal e não tive um dia bom. A matéria era bacana, boa marcações e tudo mais, mas eu não estava bem. Só pensava no João, na escola, no ritual de todas as manhãs, no sorrisinho cerrado de bom dia...e eu com aquela responsa de fechar uma matéria, escrever texto, decorar passagem...enfim, nunca na minha vida uma manhã demorou taaaaaaanto para passar. Voltei para a redação triste e todos me perguntavam: tudo bem? Deu certo? E eu respondia que sim, mas que não iria ficar na reportagem.
Todos os colegas tentaram me fazer resistir a idéia, mas a ariana aqui já tinha decidido tudo. Fui conversar com o chefe e caí no choro. Pedi desculpas, claro, mas expliquei que não queria continuar por motivos pessoais que não conseguiria ter tão pouco tempo por dia com meu filho. Ele super entendeu e inverteu toda a redação para eu retornar a minha função e continuar no meu horário que consigo levar o João na escola.
Fechei a matéria, gravei e fui embora. Passei na massagem e ao invés da drenagem linfática falei que queria 1 hora e meia de massagem relaxante. Chorei novamente. A massagista não entendia nada. Me perguntava se estava tudo bem. E eu respondia positivamente.
Fui para casa. Eu abracei João chorando. Um drama sem fim.
Ele me olhava sem entender nada, tadinho. Eu estava cansada, sem dormir e chateada.
Daí me perguntam: por que tudo isso se vc conseguiu o que queria?
Porque eu abdiquei de um sonho pela maternidade.
Não que eu fiquei triste, mas fiquei sentida.
Era a oportunidade certa na hora errada.
Agora é a hora de eu suprir minha vontade de ser mãe, de eu dar todo o amor que tenho para o João e de eu ser feliz em fazer um ritual lindo (pelo ao menos para mim) logo cedo, enquanto muita gente dorme.
A hora de ser repórter de televisão passou, agora a hora de ser mãe, como eu sempre quis ser.