Muito prazer

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Comecei a vida em Santos e cresci educada de acordo com as tradicionais regras que, muitas vezes, envolvem o machismo brasileiro. Mudei. Fiz faculdade fora. Ganhei liberdade, responsabilidade e identidade. Hoje, com 32 anos, estou casada com um homem fabuloso e espero nosso primeiro filho. Um sonho de gente grande, mas que espero desde criança: o da maternidade. O assunto sempre me fascinou e hoje, me pego com o corpo começando a deformar e sintomas nada agradáveis. Sabe o bom da história? Dou risada de tudo! Da azia, das ânsias intermináveis, da fome colossal e do tanto de cremes de estrias que hoje povoam meu banheiro. Isso é somente a primeira fase. Tenho certeza que, depois desta gravidez, continuarei rindo de mim mesma por inúmeros motivos, inclusive por me pegar em diversas situações que jamais imaginei passar.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Você é uma mãe normal?


Faz mais coisas em 7 minutos do que a maioria das pessoas ao longo do dia.

Seus momentos tranquilos são aqueles 60 minutos entre a hora que as crianças dormem e a hora que vai dormir.

Uma taça de vinho, muitas vezes, conta como uma fruta.

Faz mini sessões de terapia ao longo do dia, com qualquer pessoa que puxe um papo.

Ir ao supermercado sozinha é como tirar férias.

Sabe perfeitamente o que é estar no céu e no inferno ao mesmo tempo.

Mede a dor física em 3 niveis: fraca, média e pisar num lego.

Tem a capacidade de ouvir um espirro através de portas fechadas no meio da noite, a dois quartos de distancia, mesmo com alguém roncando ao seu lado.

Prefere ter 40° de febre do que ver qualquer um dos teus filhos com ela.

Prefere dormir do que fazer sexo.

Um banho de 15 minutos com porta fechada é um dia no SPA.

Fazer xixi em publico faz parte da rotina diária.

Usa lenços umedecidos para limpar qualquer coisa.

Participa de vários grupos de mães no Facebook.

Tem um esconderijo para os seus chocolates, só seus!!!

Lava a mesma roupa 2 vezes seguidas, por que esqueceu de colocar pra secar.

Percebe que esta vendo desenhos animados sozinha.

Consegue fazer o jantar, amamentar, falar ao telefone, gritar com as crianças, tudo sem perder o ritmo ou deixar escapar qualquer coisa do programa de TV que esta vendo.

Fica mais entusiasmada com o novo catálogo de roupa infantil, do que com o de adulto.

Decide que vai ficar com o teu carro por mais uma década, porque:
a) não pode se dar ao luxo de mudar
b) Não encontra ninguém que saiba limpar manchas de vomito e leite dos estofados do carro.

No fim do dia, escovar os dentes é uma grande conquista.

E ai? Se encontrou nessa lista???

Se a resposta for sim, você é uma mãe normal com certeza!!
J


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Não sou uma mãe politicamente correta.

Teve dias que eu esqueci de dar o Ad-Til.
As vezes eu confundo os remédios,a s dosagens e os horários. É verdade. Dou tudo trocado e (pior) as vezes nem dou: esqueço.
Tem dias que deixo dormir sem escovar dentes e sem tomar banho. Dormiu na volta da festinha e está I-M-U-N-D-O? Banho de lencinho umidecido nele e pijama em mim e nele!
Tem outros que o almoço é o pastel com caldo-de-cana da feira e o jantar é pizza. Tudo no mesmo dia.
Tem dias que é miojo.
E tem outros que eu escondo o final da barra de chocolate para comer a noite escondida sozinha.
Tem dias que eu chantageio, barganho e negocio e feijão no prato com um doce da sobremesa.
E é em frente a TV que ele come as vezes.
Tem dias que eu faço suco de pozinho só para não descascar a fruta antes e lavar o liquidificador depois. Tudo por preguiça.
Quase todas as noites ele dorme na minha cama e eu não o levo para a cama dele. Ou porque estou muito cansada para fazer isso ou porque quero dormir abraçada com ele mesmo.
Tem dias que eu peço para ele parar de gritar gritando.
Eu coloco do DVD da Xuxa para eu ter um mínimo de dignidade. Ele se ocupa com aquelas baboseiras e eu consigo, pelo ao menos, escovar os dentes ou ir ao banheiro sozinha.
Tem dias que NÃO sou justa: faço demais para ele, dou atenção demais, mimo demais, exijo demais e cedo as birras e choros.
Tem dias que eu queria ser repórter correspondente na Austrália e só falar com ele via Skype. Ou que ele fizesse um passeio de balão e voltasse daqui uns 3 anos.
Teve dias que eu me esqueci de ler a agenda da escola, de fazer a lição de casa, de arrumar a lancheira, de por a lancheira na mochila e até errar o dia de volta às aulas eu errei.
Assisto novela das nove na companhia dele.
Já falei palavrão com ele no carro.
E quando termina esses dias eu me angustio, me frustro, me entristeço. Afinal, que tipo de mãe eu sou?
E isso acontece porque ninguém me ensinou ou não li em nenhum lugar ou vi algum filme que fala que mãe pode ter algum deslize de preguiça, de descuido ou de praticidade,
Ninguém me disse que as vezes tudo isso pesa, que a gente se enche o saco de tudo, que a gente se enche deles (dos filhos). Só as vezes.
Não me preparei para isso. Pensei que fosse pecado.
Em todos os sites de gravidez que me cadastrei quando engravidei, em todas as edições da Crescer ou da Pais&Filhos que li, em todos os blogs e grupos de maternidade que naveguei, vi que não valia apenas ter parto normal. Tinha que ser natural e humanizado. Fiz cesariana.
Me disseram que eu tinha que amamentar EXCLUSIVAMENTE até o sexto mês de vida do meu filho, que só podia oferecer alimentos orgânicos, que não podia colocar açúcar na comida doce e nem sal na comida salgada. Que ele só poderia ouvir Palavra Cantada e tinha que dormir sozinho aos 6 meses.
Ninguém me disse que, as vezes, só por uns instantes, nada disso faz sentido, ou até pode continuar fazendo, mas tem dias que a gente tem o direito de não querer fazer nada.
Temos esse direito de transgressão.
Eu aviso: nós podemos.
E com isso devo admitir que sou ré confessa e por isso eu peço (não, Tim Maia, não peço para voltar...rs), peço apenas para me absolverem.
#eumeabsolvo
Da Perfeição da Vida: Por que prender a vida em conceitos e normas? O Belo e Feio....o Bom e o Mal...Dor e Prazer. Tudo, afinal, são formas e não degraus do ser"
Mário Quintana 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

João Ricardo vai fazer futebol!!!

Eu queria natação e ele queria futebol. Juntei tudo e pensei: se você topar em fazer natação, mamãe coloca você no futebol também! Fechou, ele disse. Sim, ele disse fechou mesmo. Ele fala maneiro, surreal, irado e outras gírias...com 4 anos!
Depois de me questionar e cabular as duas primeiras aulas teste do futebol, eu tomei coragem e fui buscar porque seria benéfico (ou de repente maléfico) colocá-lo em um curso de futebol aos 4 anos de idade. Me surpreendi com as descobertas e por isso divido aqui no blog.

1. Ensina a importância do trabalho em equipe
O futebol, assim como a vida, é um jogo coletivo. “Sempre num time de futebol você tem um cara mais habilidoso, outro que corre mais, mas ninguém ganha sozinho. Tem de ter espírito de equipe”, explica Fernando Godoy, diretor da sucursal brasileira da ONG Spirit of Football.
2. Nem sempre o resultado é o esperado…
No futebol, inevitavelmente temos de passar por derrotas. Mas elas podem ser um ótimo momento para refletir e encontrar outras soluções para os problemas. “O erro passa a ser o meio para se atingir um objetivo, faz parte da trajetória para o sucesso”, explica a educadora Andrea Ramal.
3. Respeito é fundamental!
O “Fair Play”, ou, jogo limpo, é ensinado desde cedo nas boas aulas de futebol. “A gente procura mostrar que você tem um adversário e não um inimigo”, diz Fábio Oliani, professor e coordenador de educação física do colégio São Luís, em São Paulo.
4. Comprometimento desde cedo
“Se o esporte é pratico e aprendido imerso em um ambiente de prazer pela aprendizagem, alegria por saber ganhar e perder e acolhimento pelo sentimento de pertencimento, o jovem praticante levará isto para o resto de sua vida, o que em ganhos para a saúde (não apenas física) é fenomenal”, afirma Alcides José Scaglia, coordenador do curso de Ciências do Esporte na Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp.
5. É preciso aceitar as regras
“Não existe jogo sem regra e quem joga verdadeiramente jura respeito às regras, violá-las traz consequências imediatas às relações sociais desenvolvidas no jogo”, diz Alcides José Scaglia, coordenador do curso de Ciências do Esporte na Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp.
6. O valor do esforço
Talento não vem sempre de berço! Para evoluir como jogador, é preciso muito treino e aperfeiçoamento. São ótimas oportunidades para perceber o valor do trabalho em torno de um objetivo. “O ideal é valorizar o esforço, independente do resultado”, diz Andrea Ramal. “Reconheça o trabalho. Assim você ajudará seu filho a desenvolver uma mentalidade de autossuperação, a ter persistência e não desistir quando as coisas não forem bem”.
7. A importância da escolha
Ninguém nasce sabendo e a vida não nasce traçada (determinada por nossos traços – inteligência ou falta dela-, coordenação motora ou falta dela-, pelo destino ou pelos outros. Quando a criança se sente protagonista de sua vida se torna capaz de mudar e melhorar cada vez mais, abrindo os caminhos à sua frente.
8. Controle das emoções
Aqueles que conseguem controlar suas emoções se saem melhor. “Existem pessoas que conseguem resultados excelentes nos treinos, mas nos jogos não conseguem, porque deixam o nervosismo tomar conta”, afirma o professor da Unicamp Roberto Rodrigues Paes, que foi técnico de basquete durante 25 anos.





quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como explicar (e ajudar) meu filho quando uma pessoa da família morre?

João Ricardo perdeu uma das bisas dele, a avó do pai, na semana passada. No dia, expliquei a ele que a a bisa tinha virado uma estrelinha e que a gente não a veria mais. Ele me questionou.
Mas por que, mamãe? Porque o papai do céu quer ela lá pertinho dele e é Ele quem manda nisso, entende? Mais ou menos...mas eu quero ver minha bisa!
Filho, vc tem a imagem da sua bisa (mostrei uma foto) e é esta imagem que vamos guardar na nossa lembrança: da bisa alegre e feliz. Agora ela ia descansar e morar com os ajinhos de guarda e, por isso, a noite, quando rezássemos, iríamos incluir a bisa nas orações.
Tá bom, mamãe, mas eu já estou com saudades da bisa...
:(

Claro que tudo isso me fez pensar em como explicar para uma criança de 4 aninhos o que é a morte e como devemos lidar com ela. Nossa formação é católica, mas sou espírita praticante e por isso eu expliquei a ele que ela foi viver em outro lugar e tal.

Enfrentar a perda de um familiar ou de uma pessoa querida é uma experiência muito dolorosa e que nos coloca em contato direto com o grande mistério que envolve a morte. Quando se tem filhos, essa experiência apresenta ainda mais um desafio, uma vez que a criança também vai precisar da ajuda dos seus pais para entender o que aconteceu e para lidar com os sentimentos que essa experiência provoca.
O desafio começou quando contei sobre a morte da bisa. Evitei os clichês de metáforas como “ela foi fazer uma longa viagem”  e fui direto ao assunto. Expliquei até o que era um cemitério, mas não cheguei a levá-lo. Não por minha decisão, mas o pai preferiu. Como o parente era do lado dele, resolvi respeitar a vontade e ceder a minha. João e eu ficamos na casa da minha sogra que está recém operada e não pôde ir ao funeral também.

Segundo a psicologia, as crianças pequenas com menos de sete anos não conseguem ainda apreender a simbologia que existe por trás das falas. Isso quer dizer que se alguém contar para uma criança nessa faixa etária que o avô foi fazer uma viagem muito longa, por exemplo, ela vai entender essa afirmação ao pé da letra e pode começar a se questionar o que o levou a querer viajar e se afastar das pessoas queridas. Ou seja, esse tipo de explicação além de não ajudar a alcançar uma compreensão sobre a morte, também pode provocar sentimentos como a mágoa e a culpa, que não precisariam ser despertados nesse momento.
Ponto pra mim!
Segundo a psicóloga Carla Poppa, sempre que possível, é melhor dar a notícia para a criança de maneira simples e honesta, e acolher as perguntas que ela possivelmente fará. Desse modo, a criança pode começar a entrar em contato com o que de fato aconteceu e tentar entender o conceito da morte ao mesmo tempo em que começa a desenvolver novos recursos para construir um sentido para essa experiência.
"A criança até os sete anos ainda não consegue compreender o significado de conceitos abstratos como a morte ou a ideia de que uma pessoa não vai voltar nunca mais. A forma com que a criança tem de entender esses acontecimentos é pela sua experiência. Ou seja, na medida em que o tempo passa e a criança vai vivendo na ausência da pessoa que morreu, ela pode aos poucos começar a assimilar o que significa a frase que lhe disseram: ela morreu. Por isso, é comum que ao longo do tempo, a criança mesmo que tenha sido comunicada da morte continue perguntando pela pessoa. Essas perguntas podem ser respondidas sempre da mesma forma e são uma forma de ajudar a criança a assimilar a ausência da pessoa que morreu." - coloca Carla Poppa.
Segundo a psicóloga, na medida em que a criança vai assimilando esse fato, ela pode começar a expressar os sentimentos provocados por essa situação. Então, passado algum tempo é possível que a criança expresse a tristeza e a saudade que sente da pessoa. A forma de expressar esses sentimentos pode variar muito. Nesses casos, é importante que os pais estejam atentos aos comportamentos recorrentes que a criança pode começar a apresentar após a morte de uma pessoa próxima para que a ajudem a identificar e expressar o seu sofrimento.
Quando isso é possível e a criança expressa a saudades que sente da pessoa que morreu, ela vai precisar dos seus pais para construir um sentido para essa experiência, o que a ajuda a não ficar paralisada no contato com esse sentimento. Para isso, é muito positivo quando os pais resgatam e entram em contato com a sua própria fé e conseguem compartilhar com a criança as crenças que costumam apaziguar o seu próprio sofrimento. Assim, esse processo de enfrentar a saudades e construir um sentido que permita conviver com esse sentimento para seguir adiante na vida é um caminho que o adulto precisa localizar dentro de si para poder guiar a criança na sua experiência.
Ponto pra mim again!! :)

Carla Poppa é psicóloga formada pela PUC-SP, fez especialização em Gestalt Terapia pelo Instituto Sedes Sapientae. É mestre e doutoranda em desenvolvimento infantil na PUC-SP.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O que uma criança precisa saber aos 4 anos de idade?

Nesse mundo contemporâneo, ter, ser, saber, parecem até fazer parte de uma competição. Nesse mundo, alguns pais e algumas mães acabam acreditando que é preciso que seus filhos saibam sempre mais que os filhos de outros. Admita: lá no fundinho...é verdade! E, por consequência, isso sim seria, então, sinal de adequação e o mais importante: de sucesso.
 Certo? Hum...vejamos.
Mas O que uma criança deve saber aos 4 anos de idade? Essa foi a pergunta feita por uma mãe, em um fórum de discussão sobre educação de filhos nos EUA, preocupada em saber se seu filho sabia o suficiente para a sua idade.
Segundo um portal de internet, o que não só a entristeceu, mas também a irritou, foram as respostas, pois ao invés de ajudarem a diminuir a angústia dessa mãe, outras mães indicavam o que seus filhos faziam, numa clara expressão de competição para ver quem tinha o filho que sabia mais coisas com 4 anos. Só algumas poucas indicavam que cada criança possuía um ritmo próprio e que não precisava se preocupar.
Para contrapor às listas indicadas pelas mães (em que constavam itens como: saber o nome dos planetas, escrever o nome e sobrenome, saber contar até 100), o portal organizou uma lista bem mais interessante para que pais e mães considerem o que uma criança deve saber.
Veja alguns exemplos abaixo:
- Deve saber que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.
- Deve saber que está segura e deve saber como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.
- Deve saber seus direitos e que sua família sempre a apoiará.
- Deve saber rir, fazer-se de boba, ser vilão e utilizar sua imaginação.
- Deve saber que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.
- Deve saber que o mundo é mágico e ela também.
- Deve saber que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.
- Deve saber que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética. Melhor dizendo, muito mais importante.
E o portal americano ainda acrescenta uma lista que considera mais importante. A lista do que os pais devem saber:
- Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.
- Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é que se leia às crianças desde pequenas. Sem tecnologias modernas, nem creches elegantes, nem jogos e computadores chamativos, se não que a mãe ou o pai dediquem um tempo a cada dia ou a cada noite (ou ambos) para sentar-se e ler com ela bons livros.
- Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” que o que estamos dando são vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
- Que nossas crianças merecem viver rodeadas de livros, natureza, materiais artísticos e a liberdade para explorá-los. A maioria de nós poderia se desfazer de 90% dos brinquedos de nossos filhos e eles nem sentiriam falta.
- Que nossos filhos necessitam nos ter mais. Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tratemos de dedicar 10 minutos diários a cada filho e prever um sábado ao mês dedicado à família. Que horror! Nossos filhos necessitam do Nintendo, dos computadores, das atividades extraescolares, das aulas de balé, do grupo para jogar futebol muito menos do que necessitam de nós. Necessitam de pais que se sentem para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia, de mães que se sentem e façam trabalhos manuais com eles. Necessitam que passeiem com eles nas noites de primavera sem se importar que se ande a 150 metros por hora. Têm direito a ajudar-nos a fazer o jantar mesmo que tardemos o dobro de tempo e tenhamos o dobro de trabalho. Têm o direito de saber que para nós são uma prioridade e que nos encanta verdadeiramente estar com eles.
Então, o que precisa mesmo – de verdade – uma criança de 4 anos?
Muito menos do que pensamos e muito mais!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Mãe também é gente!

Mania besta que a gente tem, de achar que por ser mãe, tem que virar super-alguma-coisa.
Mania boba que a gente tem, de achar que por ser mãe, fica livre do erro, do mau humor, da irritação cotidiana, da impaciência e da TPM.
Mania chata que a gente tem, de achar que por ser mãe, tem que dar conta de tudo, acolher o mundo inteiro com os dois braços, dar passos maior que as pernas e saber de tudo o que existe e ainda vai existir.
Não, não tem.
Mãe é bicho imperfeito, como todos os outros. Mãe sabe uma porção de coisas, e ignora um monte de outras, como todo mundo. Mãe é ser humano, feito de defeitinhos, de tropeços e de cicatrizes, de bonitezas e de lágrimas, de sorrisos e de momentos de quase desespero.
E mãe tem direito de se mostrar assim: falível. Em carne viva, com as ideias bagunçadas e os sentimentos embaralhados embaçando a vista. Acontece, faz parte, disso é feita a vida, é.
Mãe tem direito de dizer pro filho: hoje, não; hoje tô cansada, tô sem paciência, tô irritada, tô desesperançada, tô desiludida, tô de coração partido, hoje tô pequenina feito grão de milho.
Mãe tem direito de chorar abraçando os joelhos, de não ter vontade de levantar da cama, de arrancar os cabelos e pedir pra sair, pedir água, pedir penico, pedir arrego. E ensaiar uma desistência que depois, fica no meio do caminho – porque no fundo não era o que a gente queria, a gente só queria mesmo era saber que não matava ninguém se também desesperasse um tantinho pra depois voltar a querer.
Não é descontar qualquer coisa no filho, não!! Nada disso – é pedir espaço para ser de verdade, de coração remendado como o são todos os corações que vão se rasgando com a vida, que é bonita mas também é doída, aqui e ali e aqui de novo, e ali uma outra vez. É poder ser inteira feito gente de verdade, é poder ficar nua, despida, descabelada, é poder deixar ver além da coragem o medo e além da força o cansaço, é poder tirar a máscara para ela não colar no rosto, é poder ser, além de porto seguro, também o susto. Porque ninguém é uma coisa só.
E mãe também tem direito de ser acolhida. Mãe também quer colo, também quer abraço, também quer ouvir uma canção de ninar cantada baixinho no pé do ouvido, com direito a cafuné e brigadeiro. Mãe também quer ouvir que vai ficar tudo bem. E fica, de um jeito ou de outro. Fica.
Mãe é gente, e o bonito de gente é isso: afina e desafina. 
Que as pessoas não vêm prontas – elas estão sendo. E todos os dias, aprendem a ser um pouquinho mais. Um passinho além.
E mãe, é pessoa, é gente também.

* foi só um desabafo num dia em que acordei antes "serumana" do que qualquer outra coisa. Pode isso, produção? :) 

terça-feira, 10 de junho de 2014

10 coisas que quero dizer ao meu filho antes que eles fiquem cool demais pra me ouvir

Meu filho completou 4 anos, e, hoje foi para uma excursão com os amigos da escola. Exatamente como eu ia, com a mesma liberdade. Daí eu pensei....
Como é que fui parar com um filho de 4 anos? Será que serei adulto de verdade para aguentar?
Há tantas coisas que quero dizer a ele - antes que ele chegue ao segundo grau e fique cool demais para me dar ouvidos.
Estas são algumas coisas que quero dizer a ele antes que eu passe de repente de MAMÃE, aquela que sabe tudo, para MÃE, aquela que não entende nada, nada mesmo.
1. "No final vai ficar tudo bem. Se não ficar tudo bem, não será o fim do mundo."
Acredito realmente, do fundo do meu coração, no que disse John Lennon. Passamos por momentos difíceis, e você passará por momentos muito difíceis sozinho - mas vale a pena. Esses momentos constroem seu caráter e o ensinam a ter compaixão. Hoje, vejo que algumas das melhores coisas de minha vida nasceram de coisas que foram muito sofridas quando eu estava passando por elas. Portanto, quando as coisas lhe parecem impossíveis, ou quando você sentir que nunca mais vai sair do buraco ou ficar bem de novo, saiba que um dia você vai olhar para trás para tudo isso e ficar espantado: vai ficar tudo bem.
2. A questão toda das drogas e do álcool na realidade não diz respeito a drogas e álcool.
Você vai querer experimentar coisas; eu entendo e sei disso. A maioria de nós experimenta alguma coisa, quer seja pedir um cigarro de um amigo que você acha mais cool que você, ficar de porre numa festa ou fumar um baseado porque parece que todo mundo menos você está fumando. Mas tudo isso é apenas mais uma maneira de não estar presente. Na realidade, estar presente, ter consciência do que está acontecendo de verdade, é o máximo. E quando você procura a bebida ou drogas (ou comida, ou compras ou qualquer outra coisa) numa tentativa de fugir daquele sentimento de não ser cool, o sentimento não desaparece. Mais dia, menos dia você vai ter que lidar com ele, e a vida vai ficando cada vez mais bacana quando você encara esse problema de frente. (Aparte: se as coisas saírem do controle e você não souber o que fazer, ligue para mim. Se ficar sem graça de me telefonar, ligue para sus tia-prima Tamires ou para o seu tio Júnior.)
3. Entenda o que é que você gosta e mergulhe fundo nisso.
Se você passar sua vida tentando definir-se a partir do que outras pessoas gostam, vai ficar infeliz. Experimente as coisas, experimente tudo. Veja o que é que faz você ouvir música em sua cabeça e faz seu coração bater mais forte, e então vá fundo nessa coisa. Descubra tudo o que puder sobre essa coisa. Procure outras pessoas que curtam a mesma coisa. Se você perder tempo fazendo de conta que gosta de uma coisa "X" só porque pessoas que você acha bacanas gostam dessa coisa, vai acabar com as pessoas erradas em sua vida. Ame o que você ama de verdade e seja você mesmo. Você acabará cercado por pessoas que combinam com você.
4. Não tenha medo de errar.
Filho, se você está cometendo erros, então está fazendo coisas novas, experimentando coisas novas, aprendendo, vivendo, ampliando seus limites, transformando seu mundo.
Não podemos criar nada de valioso sem cometer algum engano. Seja uma pintura, um relacionamento, uma carreira profissional, uma vida - sempre vamos pisar na bola. Se você esperar até saber tudo antes de tentar se lançar uma coisa, vai passar a vida esperando. Eu ainda não sei tudo, mas vivo tentando. Os erros não são fracassos - é errando que aprendemos.
5. Você merece respeito.
Você merece respeito de mim, de seu pai, seus amigos, seus professores - de todo o mundo em sua vida. A melhor maneira de ser respeitada pelos outros é você mesma se respeitar. Fale com clareza e com a cabeça erguida. Defenda aquilo em que acredita. Faça as escolhas que lhe parecem certas. E, se alguém em sua vida a estiver tratando com desrespeito, exija que mude. Se isso não mudar, limite o tempo e a influência que essa pessoa tem em sua vida. Precisamos de pessoas em nossa vida que nos contestam e discordam de nós, para aprendermos a ouvir pontos de vista diferentes. Mas não precisamos ser constantemente arrasados por pessoas que não nos respeitam.
6. A primeira pessoa que chamar sua atenção não será "A Pessoa" de sua vida.
E provavelmente a segunda também não o será, nem a terceira, nem a quarta. Sabe por que? Porque "A Pessoa" é você mesma. O amor não é algo que está aí fora e que outra pessoa pode lhe dar. É algo que já está dentro de você. É aquela parte dourada de cada um de nós que nos faz vibrar. Alguns dos melhores momentos da vida acontecem quando criamos uma conexão real com outra pessoa e compartilhamos com ela o amor que temos dentro de nós. Mas nunca se esqueça de primeiro amar a você mesma. Quando você começa por amar e respeitar a si mesmo, dar amor aos outros passa a ser infinitamente melhor. Você vai encontrar muita gente incrível em sua vida, e espero que pelo menos uma vez na vida encontre alguém com quem dividir aquele amor, alguém com quem criar uma parceria de verdade. Antes disso, apaixone-se por sua própria vida, porque ninguém mais poderá fazer isso por você.
7. A paixão é maravilhosa e não é a mesma coisa que o amor.
Transar com alguém que você ama é uma coisa maravilhosa. Mas não é a única coisa. Você vai trocar primeiros beijos que sentirá no corpo inteiro, até a ponta do dedão, e vai pensar "Meu Deus, eu amo essa menina", mas... na realidade, o que você amou foi o beijo. Você vai ver alguém e sentir algo que parece um amor de cinema, mas na realidade é apenas química fenomenal. Você vai explorar esta parte da vida com pessoas que não estarão nessa para o longo prazo, e isso não é mau. A vida é uma série de histórias, e o modo como nossas histórias se cruzam é fascinante. Às vezes, elas só se cruzam por um capítulo da história. É preciso uma pessoa corajosa para saber quando aquele capítulo terminou e deixar que ele termine sem traumas.
8. A gentileza sempre é uma resposta apropriada.
Quando você for adulta, vai esquecer muitas das coisas que pareciam tão importantes quando você estava no colégio e faculdade. Não vai mais lembrar de sua média de notas. Vai olhar para seus antigos colegas de classe no Facebook e tentar lembrar por que diabos você tinha uma queda por aquela menina. Vai olhar para as fotos antigas e rir daquele penteado que usava. Mas nunca vai se esquecer das pessoas que foram realmente gentis com você, que a ajudaram quando você estava magoado, que o amaram, mesmo quando você não se sentia digno de ser amada. Seja essa pessoa com seus amigos. 

9. Eu não tenho todas as respostas, mas estou sempre pronta para ouvir.
Hoje, você pensa que eu tenho todas as respostas. Sei que essa fase está chegando muito perto de acabar, mas de certo modo fico feliz com isso. Uma das maiores dádivas que meus pais me deram foi a sabedoria deles, mas eles me mostraram que os adultos não ficam parados: eles continuam a crescer. Continuam a aprender. Quando descobre que uma maneira de fazer uma coisa não funciona, se reergue e tenta outra. A maturidade real significa saber abrir mão do que não funciona e estar aberto a tentar outra coisa. Você vai cometer seus próprios enganos e descobrir suas próprias respostas. E, enquanto estiver tentando resolver as coisas, eu vou estar sempre aqui, pronta para ouvir.
10. Nunca é tarde demais para viver uma vida da qual você sinta orgulho.
Se você aprender uma coisa apenas comigo, que seja essa. A gente tem uma chance apenas de viver. Não há limite de idade para mudar de rumo na vida, e passar a vida vivendo de um jeito não autêntico é um trágico desperdício da vida. O escritor F. Scott Fitzgerald expressou isso melhor: "Nunca é tarde demais, ou, em meu caso, cedo demais para ser quem você quer ser. Não existe limite de tempo: pare quando quiser. Você pode mudar ou pode permanecer igual - não existem regras para este tipo de coisa. Podemos aproveitar ao máximo ou estragar tudo. Espero que você aproveite ao máximo. E espero que você veja coisas que o surpreendam. Espero que sinta coisas que nunca antes sentiu. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que viva uma vida da qual você sinta orgulho. Se descobrir que não o fez, espero que tenha a coragem de recomeçar tudo de novo.
Amo você. Vá cometer erros maravilhosos e apaixonar-se por sua vida!!!