Muito prazer

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Comecei a vida em Santos e cresci educada de acordo com as tradicionais regras que, muitas vezes, envolvem o machismo brasileiro. Mudei. Fiz faculdade fora. Ganhei liberdade, responsabilidade e identidade. Hoje, com 32 anos, estou casada com um homem fabuloso e espero nosso primeiro filho. Um sonho de gente grande, mas que espero desde criança: o da maternidade. O assunto sempre me fascinou e hoje, me pego com o corpo começando a deformar e sintomas nada agradáveis. Sabe o bom da história? Dou risada de tudo! Da azia, das ânsias intermináveis, da fome colossal e do tanto de cremes de estrias que hoje povoam meu banheiro. Isso é somente a primeira fase. Tenho certeza que, depois desta gravidez, continuarei rindo de mim mesma por inúmeros motivos, inclusive por me pegar em diversas situações que jamais imaginei passar.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como explicar (e ajudar) meu filho quando uma pessoa da família morre?

João Ricardo perdeu uma das bisas dele, a avó do pai, na semana passada. No dia, expliquei a ele que a a bisa tinha virado uma estrelinha e que a gente não a veria mais. Ele me questionou.
Mas por que, mamãe? Porque o papai do céu quer ela lá pertinho dele e é Ele quem manda nisso, entende? Mais ou menos...mas eu quero ver minha bisa!
Filho, vc tem a imagem da sua bisa (mostrei uma foto) e é esta imagem que vamos guardar na nossa lembrança: da bisa alegre e feliz. Agora ela ia descansar e morar com os ajinhos de guarda e, por isso, a noite, quando rezássemos, iríamos incluir a bisa nas orações.
Tá bom, mamãe, mas eu já estou com saudades da bisa...
:(

Claro que tudo isso me fez pensar em como explicar para uma criança de 4 aninhos o que é a morte e como devemos lidar com ela. Nossa formação é católica, mas sou espírita praticante e por isso eu expliquei a ele que ela foi viver em outro lugar e tal.

Enfrentar a perda de um familiar ou de uma pessoa querida é uma experiência muito dolorosa e que nos coloca em contato direto com o grande mistério que envolve a morte. Quando se tem filhos, essa experiência apresenta ainda mais um desafio, uma vez que a criança também vai precisar da ajuda dos seus pais para entender o que aconteceu e para lidar com os sentimentos que essa experiência provoca.
O desafio começou quando contei sobre a morte da bisa. Evitei os clichês de metáforas como “ela foi fazer uma longa viagem”  e fui direto ao assunto. Expliquei até o que era um cemitério, mas não cheguei a levá-lo. Não por minha decisão, mas o pai preferiu. Como o parente era do lado dele, resolvi respeitar a vontade e ceder a minha. João e eu ficamos na casa da minha sogra que está recém operada e não pôde ir ao funeral também.

Segundo a psicologia, as crianças pequenas com menos de sete anos não conseguem ainda apreender a simbologia que existe por trás das falas. Isso quer dizer que se alguém contar para uma criança nessa faixa etária que o avô foi fazer uma viagem muito longa, por exemplo, ela vai entender essa afirmação ao pé da letra e pode começar a se questionar o que o levou a querer viajar e se afastar das pessoas queridas. Ou seja, esse tipo de explicação além de não ajudar a alcançar uma compreensão sobre a morte, também pode provocar sentimentos como a mágoa e a culpa, que não precisariam ser despertados nesse momento.
Ponto pra mim!
Segundo a psicóloga Carla Poppa, sempre que possível, é melhor dar a notícia para a criança de maneira simples e honesta, e acolher as perguntas que ela possivelmente fará. Desse modo, a criança pode começar a entrar em contato com o que de fato aconteceu e tentar entender o conceito da morte ao mesmo tempo em que começa a desenvolver novos recursos para construir um sentido para essa experiência.
"A criança até os sete anos ainda não consegue compreender o significado de conceitos abstratos como a morte ou a ideia de que uma pessoa não vai voltar nunca mais. A forma com que a criança tem de entender esses acontecimentos é pela sua experiência. Ou seja, na medida em que o tempo passa e a criança vai vivendo na ausência da pessoa que morreu, ela pode aos poucos começar a assimilar o que significa a frase que lhe disseram: ela morreu. Por isso, é comum que ao longo do tempo, a criança mesmo que tenha sido comunicada da morte continue perguntando pela pessoa. Essas perguntas podem ser respondidas sempre da mesma forma e são uma forma de ajudar a criança a assimilar a ausência da pessoa que morreu." - coloca Carla Poppa.
Segundo a psicóloga, na medida em que a criança vai assimilando esse fato, ela pode começar a expressar os sentimentos provocados por essa situação. Então, passado algum tempo é possível que a criança expresse a tristeza e a saudade que sente da pessoa. A forma de expressar esses sentimentos pode variar muito. Nesses casos, é importante que os pais estejam atentos aos comportamentos recorrentes que a criança pode começar a apresentar após a morte de uma pessoa próxima para que a ajudem a identificar e expressar o seu sofrimento.
Quando isso é possível e a criança expressa a saudades que sente da pessoa que morreu, ela vai precisar dos seus pais para construir um sentido para essa experiência, o que a ajuda a não ficar paralisada no contato com esse sentimento. Para isso, é muito positivo quando os pais resgatam e entram em contato com a sua própria fé e conseguem compartilhar com a criança as crenças que costumam apaziguar o seu próprio sofrimento. Assim, esse processo de enfrentar a saudades e construir um sentido que permita conviver com esse sentimento para seguir adiante na vida é um caminho que o adulto precisa localizar dentro de si para poder guiar a criança na sua experiência.
Ponto pra mim again!! :)

Carla Poppa é psicóloga formada pela PUC-SP, fez especialização em Gestalt Terapia pelo Instituto Sedes Sapientae. É mestre e doutoranda em desenvolvimento infantil na PUC-SP.