Muito prazer

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Comecei a vida em Santos e cresci educada de acordo com as tradicionais regras que, muitas vezes, envolvem o machismo brasileiro. Mudei. Fiz faculdade fora. Ganhei liberdade, responsabilidade e identidade. Hoje, com 32 anos, estou casada com um homem fabuloso e espero nosso primeiro filho. Um sonho de gente grande, mas que espero desde criança: o da maternidade. O assunto sempre me fascinou e hoje, me pego com o corpo começando a deformar e sintomas nada agradáveis. Sabe o bom da história? Dou risada de tudo! Da azia, das ânsias intermináveis, da fome colossal e do tanto de cremes de estrias que hoje povoam meu banheiro. Isso é somente a primeira fase. Tenho certeza que, depois desta gravidez, continuarei rindo de mim mesma por inúmeros motivos, inclusive por me pegar em diversas situações que jamais imaginei passar.

terça-feira, 29 de maio de 2012

The terrible two - a gente cospe para cima quando não tem filho...

De umas duas semanas para cá estou vendo um novo João Ricardo nascer. Ele melhorou e piorou. Muito. Em vários sentidos. O que é legal ver no crescimento da criança (eu acho) é o desenvolvimeto da personalidade. O João é uma criança decidida, não é de chorar (a menos que tenha se machucado mesmo), topa tudo, tem um pique da hora, dorme bem, come bem, tudo lindo. Agora, ele está tentando me mostrar para que veio ao mundo. Quer dar a opinião dele. Quer se fazer notar. Quer chamar atenção (claro, e sempre vai querer). Mas tudo isso é com muita intensidade e com pouca noção. Resultado: crises de choro sem nem ele saber o que quer ou não quer. Ontem mesmo eu e o Ricardo tivemos que praticamente amarrá-lo para conseguir cortar as unhas das mãos. Não, não estou falando no sentido figurado, estou falando a realidade. Cortamos as unhas das duas mãos aos gritos e prantos que mais parecia que estávamos sacrificando a criança. É horrível. Quando faço isso, tenho vontade de chorar depois de tão triste que é. O canto do pensamento (jeito moderno de falar que a criança está no castigo) não funciona. Ele não obedece e ainda fica me olhando esperando minha reação. Não faz algazarra, mas também não obedece. Desafia e aguarda minha reação. Você conversa, tenta, explica, fala, negocia, mas a criança só falta gesticular com o braço de mandando uma "banana". E vc, ah, vc cada hora tem uma reação diferente. Daí é papo para psicanálise. Um trecho de texto que eu achei em um blog:
Dica de ouro: treine sua cara de alface pra quando rolar um surto básico em público. Sabe como é, a gente cospe pra cima quando não tem filho... Lembre sempre do mantra "ele só tem dois anos, não vou perder a paciência por uma criança tão pequena". Não dá pra construir nada sem destruir antes, né? Fato é que é difícil aceitar que nossos filhos tem sim personalidade própria, vontades e pensamentos. Filhos não são ferinhas a serem domadas e sim, pessoas de entendimento diferenciado.
Então cheguei à conclusão que falar "criar os filhos" está errada. Eu não crio meu filho: ele se cria sozinho. Com, sem ou apesar dos pais, os filhos crescem. Sim, alguns pais mais atrapalham que ajudam, mas as crianças crescem de qualquer jeito. Filhos são: eles se geram no útero, eles mamam, comem, falam, andam, se recuperam de tombos. A personalidade deles refletem um bom tanto o meio ao qual nós pais pertencemos vividamente com os anos, mas apenas isso. Independente do que eu penso, ele cresce a olhos vistos. Acho que os filhos que criam os pais, isso sim. Qual esforço faço eu para "criá-lo"? Se eu deixasse de fazer, ele não cresceria mais? As crianças usam da linguagem corporal para se expressar. Nada mais natural que usar o corpo (gritos, empurrar, puxar cabelo, bater) para demonstrar desapontamento: até nós adultos, de vez em quando, temos que fazer isso. Daí concluo que meu "pequeno homem das cavernas" é uma pessoa que tem sentimentos e não sabe explicá-los de outras formas, além de não conseguir dimensionar o tamanho das conseqüências. Meu argumento FINAL por esses "terríveis 2 anos" é simples: ninguém bate em você, você não pode bater em ninguém. É errado bater, machuca. Tem que relembrar 149182417419 vezes, mas acho um bom argumento. Os mantras são as únicas coisas que eu consigo lembrar nessas ocasiões. "Eu sou adulta, madura, centrada. Ele só tem dois anos, não consegue me tirar do sério com gritos. Ele só tem dois anos, ele só tem dois anos, ele só tem dois aaaaaaaaaaaaaaanoooooooooooooooooooooos...." Muitas vezes eu saio de perto, impossível me manter calma. E assim aguardamos a mais uma "fase" passar... Ah! Não, ele não está menos lindo e menos fofo por causa desta fase. Pelo contrário. Assinado: mãe coruja, as vezes, desesperada...rs