Muito prazer

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Comecei a vida em Santos e cresci educada de acordo com as tradicionais regras que, muitas vezes, envolvem o machismo brasileiro. Mudei. Fiz faculdade fora. Ganhei liberdade, responsabilidade e identidade. Hoje, com 32 anos, estou casada com um homem fabuloso e espero nosso primeiro filho. Um sonho de gente grande, mas que espero desde criança: o da maternidade. O assunto sempre me fascinou e hoje, me pego com o corpo começando a deformar e sintomas nada agradáveis. Sabe o bom da história? Dou risada de tudo! Da azia, das ânsias intermináveis, da fome colossal e do tanto de cremes de estrias que hoje povoam meu banheiro. Isso é somente a primeira fase. Tenho certeza que, depois desta gravidez, continuarei rindo de mim mesma por inúmeros motivos, inclusive por me pegar em diversas situações que jamais imaginei passar.

domingo, 1 de novembro de 2009

08 de setembro

Depois de uma noite de chuvas fortes em São Paulo, a manhã continuava chuvosa. Peguei um temporal pelo trajeto que me leva até a TV. Chegei as 09h10 na Vila Leopoldina. As 11h45 o alarme: uma colega entra na redação avisando: "gente, quem está com o carro na rua, vá tirar pois a Avenida Mofarrej está enchendo de água!!". Corri tranquilamente se é que dá para fazer isso, ams foi assim. Peguei somente a chave do carro e um guarda-chuvas que ganhei de um jabazinho do Banco Real. Narua, a água realmente tomava conta de tudo. Atravessei algumas poças d'água e cheguei no meu Clio. Não dava mais para tirá-lo do lugar. Fiquei estática dentro do carro pensando no que ia fazer. Dei ré. Coloquei o carro no fim da rua, travessa da tal avenida Mofarrej e pensei: Seja o que Deus quiser! Saí do carro e tentei retornar a TV. Não dava mais. A água subiu rápido e me vi ilhada com algumas pessoas na mesma situação: saímos apenas para trocar o carro de lugar!! Entrei em uma Van onde existiam mais 10 pessoas da TV Brasil. Tentamos nos proteger da água que caía sem parar e da tal avenida Mofarrej. Estacionamos em uma rua sem saída. Medo, desespero e mil permunições. Foram 9 horas para sair daquele lugar dentro de um caminhão de frigorífico. Sim, só caminhões, e dos mais altos, se arriscavam a atravessar a avenida Mofarrej na tarde daquela terça-feira. Esperamos por mais 2 horas até a água baixar próximo a estação de trem Ceasa. Eu pensei em tudo: em me controlar para não ter um ataque de pânico, em como a empresa havia nos abandonado, nos bombeiros...mas meu pensamento maior era no meu carro. O que havia acontecido com ele? E meu prejuízo? Como vou sair daqui? Quando verei meu carro? As 23h30 consegui chegar no meu carro. Cheio d'água. Estragado. Passei na casa da colega que por gentileza recolheu meus pertences e levou embora. Fui para casa com o cheiro do Rio Pinheiros debaixo do meu nariz. Dormir? Não deu. Passei a noite em claro. Consegui no dia seguinte levar o carro para a avaliação dos prejuízos. Vários nãos e algumas respostas carérrimas. Ainda estava espantada com minha força de não me deixar acontecer nada até então. A noite surpresa! O pânico tomou conta de mim e dia 11 de setembro volto eu ao consultório do Dr. Kalil que me coloca no antidepressivo novamente. Sensação de fracasso total. O Ricardo ficou me incentivando, mas a sensação de ter que tomar aquilo novamente foi péssima. Inúmeras foras as tentativas dele de me divertir, abstrair e tentar apagar da minha cabeça os momentos de desespero. Isso é amor. Ricardo não deixou a peteca cair. Me ajudou por todo o tempo, desde as horas ilhadas que me ligava no celular até no roteiro lúdico que faria comigo para me ver sorrir. Demorou, sofri muito, mas de uma coisa tenho certeza: eu realmente me casei e encontrei o homem da vida. Buga, te amo!

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