Muito prazer

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Comecei a vida em Santos e cresci educada de acordo com as tradicionais regras que, muitas vezes, envolvem o machismo brasileiro. Mudei. Fiz faculdade fora. Ganhei liberdade, responsabilidade e identidade. Hoje, com 32 anos, estou casada com um homem fabuloso e espero nosso primeiro filho. Um sonho de gente grande, mas que espero desde criança: o da maternidade. O assunto sempre me fascinou e hoje, me pego com o corpo começando a deformar e sintomas nada agradáveis. Sabe o bom da história? Dou risada de tudo! Da azia, das ânsias intermináveis, da fome colossal e do tanto de cremes de estrias que hoje povoam meu banheiro. Isso é somente a primeira fase. Tenho certeza que, depois desta gravidez, continuarei rindo de mim mesma por inúmeros motivos, inclusive por me pegar em diversas situações que jamais imaginei passar.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Como a voz de mamãe



Para reforçarem os laços com a figura materna, os bebês choram reproduzindo o jeito de falar e o sotaque de sua mãe – que eles ouvem desde que estão no útero
Inúmeras pesquisas são feitas para entender como os sentidos do bebê se desenvolvem no útero e atuam sobre sua percepção antes do nascimento. Já se sabe que, nas fases finais da gestação, as emoções da mãe – como ansiedade, tensão e medo – de alguma forma chegam aos bebês. Eles também adquirem sensibilidade à luz. Os recém-nascidos têm memória de sua vida uterina. Agora, um grupo de pesquisadores alemães do Instituto Max Planck e da Universidade de Würzburg deu mais um passo para desvendar a vida antes do parto. Ao analisarem o choro de sessenta recém-nascidos com idade entre 2 e 5 dias, eles perceberam que os bebês nessa fase já têm sotaque. A entonação do choro de bebês franceses termina com um som mais agudo, enquanto nos bebês alemães esse som é mais grave, acompanhando as características fonéticas dos respectivos idiomas. Como já se tem conhecimento de que os bebês podem ouvir a voz e as conversas da mãe quando ainda estão no útero, os pesquisadores concluíram que eles procuram reproduzir esses mesmos sons maternos nos primeiros dias depois de nascer. Essa seria uma ação instintiva, segundo os cientistas, para estabelecer laços de afeto com a mãe. "Os bebês conseguem ouvir a partir da vigésima semana de gestação e, como a voz que mais ouvem é a da mãe, faz sentido que tentem reproduzir esse som", explica o obstetra Eduardo Zlotnik, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo.

O estudo dos pesquisadores alemães põe por terra a antiga tese segundo a qual o som do choro do bebê nos primeiros dias de vida está relacionado apenas às suas necessidades, expressando principalmente fome e dor. Muitas mães, além dos pediatras, conseguem identificar o que a criança está pedindo pelo tipo de choro e expressão facial. Agora, sabe-se que, além disso, o choro carrega um forte vínculo com a memória dos últimos períodos de gestação. Através dele, o bebê procura reforçar sua relação com a mãe, imitando sua voz. Ainda não se conhece a exata percepção que os bebês têm dos sons enquanto estão no útero. Mas é possível afirmar que a nitidez dos ruídos é prejudicada pelo líquido amniótico, em que estão imersos, que acaba funcionando como uma barreira para as ondas sonoras. Os tons mais agudos são parcialmente bloqueados, enquanto os graves chegam aos ouvidos do bebê com mais facilidade. Algo parecido com o que acontece quando alguém mergulhado numa piscina procura distinguir os sons de fora dela. Mas a voz da mãe, apesar de aguda, como costumam ser as vozes femininas, é facilmente captada pelo bebê. Depois do parto, ele consegue reconhecer a mãe pela voz.

Estudos anteriores relacionando os bebês no útero aos ruídos externos comprovam que eles têm memória sonora. Numa pesquisa feita em 2001 por cientistas da Universidade de Leicester, na Inglaterra, grávidas ouviram uma única música durante os três últimos meses de gestação, diversas vezes. Os cientistas perceberam que os bebês conseguiam reconhecer e preferiam essas canções até depois de 1 ano de idade. "Os sons que os bebês escutam durante a gestação tendem a acalmá-los no futuro", explica Adolfo Liao, professor de ginecologia e obstetrícia da Universidade de São Paulo. Muitas mães, buscando tranquilizar o bebê, ouvem música clássica. Algumas chegam a colocar fones de ouvido na barriga para potencializar o efeito calmante da música. "Digo para meus pacientes que melhor do que ouvir música é conversar com o bebê, uma vez que a voz da mãe remete a sensações de conforto e proteção", afirma Adolfo Liao.

Já a ideia de que se pode doutrinar o gosto musical de uma criança enquanto ela está no útero é falsa. Pesquisas nesse sentido foram realizadas e não se conseguiu provar que ouvir axé music ou Beethoven determine as preferências da criança no futuro. "O bebê provavelmente vai se lembrar do que escutou, mas o gosto será determinado pelo meio, pelos outros estímulos que terá em vida", afirma o obstetra Eduardo Zlotnik. O que há de concreto é que os bebês se habituam à voz materna e a usam como a primeira referência sonora na vida.


Os sons que chegam ao feto
• Os bebês têm memória musical. Até 1 ano de idade, conseguem reconhecer as músicas que ouviam após a 28ª semana de gestação

• Quando a grávida coloca fones de ouvido na barriga, apenas aumenta o volume do som ouvido pelo bebê. Não há influência em seu comportamento ou gosto musical futuro

• O líquido uterino em que o bebê está imerso bloqueia alguns sons. As frequências graves são mais bem percebidas que as agudas

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